• Document: São Bernardo Graciliano Ramos
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São Bernardo – Graciliano Ramos http://pt.wikipedia.org/wiki/Graciliano_Ramos São Bernardo é um romance de confissão, aparentado com Dom Casmurro. Narrado em primeira pessoa, é curto, direto e bruto. Poucos, como ele, serão tão honestos nos meios empregados e tão despidos de recursos; e esta força parece provir da sólida unidade que o autor lhe imprimiu. As personagens e as coisas surgem como meras modalidades do narrador, Paulo Honório cuja à personalidade dominadora se amesquinham, frágeis e distantes. Mas Paulo Honório, por sua vez, é modalidade duma força que o transcende e em função da qual vive: o sentimento de propriedade. E o romance é mais que um estudo analítico, verdadeira patogênese desse sentimento. De guia de cego, filho de pais incógnitos, criado pela preta Margarida, Paulo Honório se elevou a grande fazendeiro, respeitado e temido, graças à tenacidade infatigável com que manobrou a vida, ignorando escrúpulos e visando atingir o seu alvo por todos os meios. Para alcançar sua ascensão social, o narrador paga um preço altíssimo, que é a destruição do seu caráter afetivo. Na verdade, a perda de sua humanidade pode ser entendida como fruto do meio em que vivia. Massacrado por seu mundo, acaba tornando-se um herói problemático, defeituoso (parece haver aqui um certo determinismo, na medida em que o homem seria apresentado como fruto e prisioneiro das condições mesológicas). Há um aspecto que atenta contra a sua verossimilhança, que é um célebre problema de incoerência: como um romance tão bem escrito pode ter sido produzido por um semianalfabeto como Paulo Honório. É uma narrativa muito sofisticada para um narrador de caráter tão tosco. Quando se menciona que a narrativa é sofisticada, não se quer dizer que haja rebuscamento. A linguagem do romance, seguindo o estilo de Graciliano Ramos, é extremamente econômica, enxuta, mas densa de beleza. Outra beleza pode ser percebida pela maneira como o tempo é trabalhado. Há o tempo do enunciado (a história em si, os fatos narrados) e o tempo da enunciação (o ato de narrar, de contar a história). O primeiro é pretérito. O segundo é presente. Mas há momentos magistrais, como os capítulos 19 e 36, em que, em meio à perturbação psicológica em que se encontra o narrador, os dois acabam-se misturando. Todos esses elementos, portanto, fazem de São Bernardo uma obra do mais alto quilate, facilmente colocada entre os cinco melhores romances de nossa literatura. ATIVIDADES ATIVIDADE 1 QUESTÃO 01 Assinale com V (Verdadeiro) ou com F (Falso) as afirmações abaixo sobre o romance São Bernardo, de Graciliano Ramos: ( ) O projeto de escrever um livro em conjunto, pela divisão do trabalho, não tem êxito. Paulo Honório critica os padrões quinhentistas seguidos por João Nogueira e a linguagem empolada de Azevedo Gondim, mas acaba adotando a mesma forma de escrever. ( ) Embora pretenda reproduzir fielmente os fatos de sua vida, Paulo Honório desrespeita os acontecimentos, introduzindo personagens que de fato não existiram. ( ) Paulo Honório seleciona os episódios mais significativos de sua vida, centrando-se nas circunstâncias que levam ao desenlace do drama sobre o qual se interroga. ( ) Paulo Honório, em várias ocasiões, interrompe o relato para discutir as regras que presidem a sua escrita ou para confessar suas dificuldades de expressão. ( ) Através do relato, Paulo Honório tem oportunidade de reavaliar sua vida, refletindo sobre seus atos e vendo a esposa sob uma nova perspectiva. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: A) F — F — V — F — V B) V — F — V — F — V C) V — F — F — V — F D) F — F — V — V — V E) V — V — F — V — V QUESTÃO 03 Em São Bernardo, a velhice é o momento em que o narrador-protagonista Paulo Honório A) aproveita, apesar dos problemas cotidianos, toda a riqueza e prestígio que conseguiu durante sua vida de sacrifícios. B) se vê falido economicamente e se conscientiza de que sua vida foi consumida inutilmente na posse da fazenda S. Bemardo. C) reconhece a forma desumana como tratou Madalena e as demais pessoas, mas não é capaz de reconstruir novo projeto de vida. D) se sente contrariado, pois, apesar de saudável física e emocionalmente, constata que viveu apenas em função dos outros. E) avalia o passado positivamente, contrastando-o com a solidão do presente e a incerteza do futuro. QUESTÃO 04 O diálogo a seguir é entre Paulo Honório, narrador, e Gondim, jornalista contratado inicialmente por Paulo para escrever o romance: “– Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma! Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. – Não pode? Perguntei com assombro. E porquê? Azeve

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