• Document: Mimo. O casaco de Marx roupas, memória, dor
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Mimo O casaco de Marx roupas, memória, dor Peter Stallybrass O casaco de Marx roupas, memória, dor 3a edição [ampliada] ORGANIZAÇÃO E TRADUÇÃO Tomaz Tadeu autêntica O capítulo "A vida social das coisas: roupas, memória, dor", foi traduzido de STALLYBRASS, Peter. "Worn worlds: clothes, mourning, and the life of things". The Yale Review, 81(1), 1993, p. 35-50. Copyright © by Peter Stallybrass O capítulo "O casaco de Marx", foi traduzido de STALLYBRASS, Peter. "Marx's coat". In: Patricia Spyer (org.). Border fetishisms. Material objects in unstable spaces. Nova York/ Londres: 1998, p. 183-207. Copyright © 1997. from BORDER FETICHISMS by Patricia Spyer. Reproduced by permission of Routledge, Inc. O capítulo "O mistério do caminhar" foi traduzido de STALLYBRASS, Peter. "The mistery of walking". Journal of Medieval and Early Modern Studies, v. 32, n. 3 , 2 0 0 2 , p. 571-80. PROJETO GRÁFICO DA CAPA Diogo Droschi EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Conrado Esteves REVISÃO Roberto Arreguy Maia, Clarice Maia Scotti e Cecília Martins EDITORA RESPONSÁVEL Rejane Dias Todos os direitos reservados pela A u t ê n t i c a Editora. N e n h u m a p a r t e d e s t a p u b l i c a ç ã o p o d e r á ser r e p r o d u z i d a , seja p o r m e i o s m e c â n i c o s , e l e t r ô n i c o s , seja v i a c ó p i a xerográfica sem a autorização prévia da editora. AUTÊNTICA EDITORA LTDA. Rua A i m o r é s , 9 8 1 , 8o a n d a r . F u n c i o n á r i o s 3 0 1 4 0 - 0 7 1 . Belo H o r i z o n t e . MG Tel: ( 5 5 3 1 ) 3 2 2 2 6 8 1 9 TELEVENDAS: 0 8 0 0 2 8 3 1 3 2 2 www.autenticaeditora.com.br Stallybrass, Peter S782x.Ps O casaco de Marx: roupas, memória, dor / Peter Stalybrass ; tradução de Tomaz Tadeu. - 3. ed. - Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2008. Título original: "Marx's coat"; " W o r n world: clothes, mourning and the life of things"; "The mistery of walking" Bibliografia. 112 p. - (Coleção Mimo) ISBN 978-85-86583-34-6 1. Objeto (Filosofia) - Aspectos psicológicos 2. Roupas - Psicologia 3. Marx, Karl, 1818-1883 - Crítica e interpretação I. Título CDU-391:159.923 Sumário 07 A vida social das coisas: roupas, memória, dor 39 O casaco de Marx 87 O mistério do caminhar A vida social das coisas: roupas, memória, dor Durante os dois últimos anos estive escrevendo sobre roupas. Na verdade, estive fazendo isso sem mesmo sabê-lo. Eu não tinha nenhuma idéia de que estava escrevendo sobre roupas a não ser como pro- duto secundário de meu interesse na sexualidade, no colonialismo e na história do estado-nação. Então, aconteceu algo que mudou minha idéia sobre aquilo que eu estava fazendo. Eu estava apresentando um trabalho sobre o conceito de indivíduo quando fui literalmente tomado. Não pude continuar lendo. Seguiu-se um constrangedor silêncio e comecei a chorar. Havia um amigo muito próximo sentado perto de mim e ele simplesmente pegou o trabalho de minhas mãos e continuou lendo. Mais tarde, quando tentei entender o que tinha acontecido, dei-me conta de que, pela primeira vez desde sua morte, Allon White tinha voltado para mim. Allon e eu éramos amigos. Nós tínhamos par- tilhado uma casa e escrito um livro juntos. Após sua 7 morte, de leucemia, em 1986, sua viúva, Jen, e eu tínhamos, ambos, cada um à sua maneira, tentado lem- brar Allon, mas com muito pouco êxito. Para outros havia memórias ativas, dores ativas. Para mim havia simplesmente um vazio, uma ausência e algo como uma raiva por causa de minha própria incapacidade de sentir dor e tristeza. As memórias que eu tinha pareciam sentimentais e pouco reais, bastante des- proporcionais relativamente à eloqüência estridente, amorosa, que tinha sido a eloqüência de Allon. A única coisa que parecia real para mim era a série de longas conversas que eu tivera com Jen sobre o que fazer com as coisas de Allon que ainda restavam: com o chapéu que ainda estava pousado na estante de seu escritório, um chapéu que ele tinha comprado para esconder a calvície que tinha chegado muito tempo antes das humilhações físicas da quimioterapia; com os seus óculos que estavam ao lado da cama e ainda olhavam para nós. Para Jen a questão era saber como reordenar a casa, o que fazer com os livros de Allon e com todas as formas pelas quais ele tinha ocupado espaço. Talvez, pensava ela, a única forma de resol- ver este problema fosse mudar-se, deixando a casa de uma vez por todas. Mas, nesse meio tempo, ela doou alguns de seus livros e algumas de suas roupas. Allon e eu tínhamos sempre trocado roupas, tendo por dois anos partilhado uma casa na qual tudo e

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